Política
Rodrigo Maia pede punição por insultos a repórter da Folha de S.Paulo
O Congresso reagiu a insultos a repórter da Folha de S.Paulo

Por FolhaPress
Publicado 13/02/2020
Atualizado 13/02/2020
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Foto: Adriano Machado/ Reuters

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O Congresso reagiu nesta quarta-feira (12) às declarações de um ex-funcionário da Yacows, empresa de marketing digital, que mentiu em depoimento na CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) das Fake News e insultou a jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha de S.Paulo.

A relatora do colegiado, deputada federal Lídice da Mata (PSB-BA), disse que vai acionar o Ministério Público contra o falso testemunho prestado por Hans River do Nascimento na comissão na última terça (11). O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), pediu punição "no rigor da lei".

Em mensagem contundente sobre o caso em uma rede social, Maia afirmou que mentir em comissões no Congresso é crime. "Atacar a imprensa com acusações falsas de caráter sexual é baixaria com características de difamação. Falso testemunho, difamação e sexismo têm de ser punidos no rigor da lei", escreveu.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), não se manifestou.

Responsável pelo relatório dos trabalhos da CPMI, Lídice decidiu entrar individualmente com uma ação no Ministério Público para pedir que Hans seja investigado por falso testemunho.

A medida é uma sinalização de que a sugestão de indiciamento do ex-funcionário da Yacows deve constar do documento final a ser publicado pela comissão.

"Tudo indica que houve um depoimento baseado em informações falsas, e isso é crime. E a CPMI deve ser a primeira a indicar esse crime", afirmou Lídice.

"Como mulher, que me senti diretamente agredida por esse tipo de difamação e de ataque à honra da jornalista, e como relatora de uma CPMI que precisa manter sua credibilidade, eu resolvi tomar essa iniciativa."

O repúdio ao comportamento de Hans também partiu de ex-aliados do presidente Jair Bolsonaro. Major Olímpio (SP), líder do PSL no Senado, defendeu que Hans deveria ter sido preso em flagrante.

"Em uma comissão parlamentar de inquérito, e estando sob juramento, qualquer cidadão tem que dizer a verdade, sob pena de cometer crime. Acusações sobre a honra, a conduta profissional e moral da jornalista, ao meu ver, caracterizam crime", afirmou.

Primeira mulher a comandar a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado, Simone Tebet (MDB-MS) defendeu a punição de Hans.

"A impunidade é a mãe dos ataques à reputação das mulheres. Se não combatermos os ataques verbais com rigor, a misoginia sai do discurso e empunha a arma da violência física e do feminicídio", disse.

As exceções a esse movimento de repúdio partiram principalmente de congressistas aliados a Bolsonaro. Eles dedicaram suas atividades nas redes sociais a difundir informações falsas e ofensas contra Patrícia.

Nesta quarta, nenhum dos integrantes do PSL que são membros da CPMI e atacaram a jornalista da Folha de S.Paulo na sessão anterior compareceu à audiência pública na comissão em que foram ouvidos representantes da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) e das operadoras.

Faltaram à sessão Filipe Barros (PR), Caroline de Toni (SC), Eduardo Bolsonaro (SP) e Carlos Jordy (RJ).

Os convidados falaram, entre outras coisas, sobre medidas de segurança adotadas pelas empresas para evitar casos como o reportado por Patrícia em 2018. A reportagem, da qual ela é uma das autoras, denunciou o uso de CPFs de pessoas idosas para registrar chips de celulares e usar os números para efetuar disparos em massa de mensagens em benefício de políticos.

Fonte: Notícias ao minuto

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